FPF e Secretaria da Mulher discutem ações de enfrentamento à violência contra as mulheres no futebol
Reunião abordou dados do estudo do FBSP e possibilidades de atuação para prevenção e enfrentamento a violência de gênero
17/09/2026 15h05
Por Assessoria FPF-PE -
A Federação Pernambucana de Futebol (FPF) se reuniu com representantes da Secretaria da Mulher de Pernambuco para discutir estratégias de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres relacionadas ao contexto do futebol. O encontro teve como ponto de partida a segunda edição do estudo “Futebol e Violência Contra a Mulher”, publicado em 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Participaram da reunião Gustavo Sampaio, Diretor de Competições Profissionais da FPF; Jorge Vieira, Diretor de Competições Amadoras; Walkiria Alves, Secretária Executiva de Políticas para as Mulheres; e Alexandre Guimarães, Gerente da Secretaria de Ressocialização.
O estudo apresentado pelo FBSP analisa a relação entre o calendário de jogos de futebol e os registros de violência contra mulheres em cinco capitais brasileiras — Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre — considerando o período de 2023 a 2025. Segundo a pesquisa, em dias com partidas de futebol, os registros de ameaças contra mulheres aumentam 27,4%, enquanto os de lesões corporais dolosas crescem 28,8%. Entre mulheres de 15 a 29 anos, o aumento dos registros de ameaças e lesões chega a 44,4%.
O levantamento ressalta, entretanto, que os dados não permitem afirmar que o futebol seja a causa da violência contra as mulheres. A pesquisa aponta que o esporte pode atuar como catalisador de dinâmicas de violência já existentes, especialmente no ambiente doméstico, fazendo com que os dias de jogos sejam considerados um marcador temporal de atenção para a rede de proteção.
Futebol como espaço de prevenção
Durante a reunião, a FPF e a Secretaria da Mulher discutiram a importância de utilizar a capilaridade do futebol em Pernambuco como ferramenta para ampliar ações de conscientização, prevenção e orientação. O próprio estudo do FBSP aponta o futebol como uma oportunidade estratégica para campanhas de prevenção e defende a articulação entre poder público, clubes, federações e torcidas.
Entre as recomendações apresentadas pelo relatório estão a realização de debates e ações permanentes sobre violência contra as mulheres, a promoção de encontros educativos para desconstrução de padrões de masculinidade associados à dominação de gênero, estratégias de prevenção considerando fatores de risco e programas contínuos de formação de atletas. O documento também recomenda protocolos internos para o tratamento de casos de violência doméstica envolvendo atletas e ações de formação junto às torcidas.
A discussão também considerou a necessidade de fortalecer a atuação integrada entre as instituições, aproximando o futebol da rede de proteção às mulheres e ampliando o alcance das campanhas educativas nos diferentes ambientes ligados ao esporte.
Compromisso com um futebol mais seguro
Para a FPF, a reunião representa mais um passo na construção de iniciativas que utilizem a força de mobilização do futebol para promover respeito, cidadania e prevenção da violência.
A segunda edição do estudo do FBSP reforça que o calendário esportivo deve ser considerado no planejamento das ações da rede de proteção e destaca a necessidade de medidas integradas de prevenção, monitoramento, comunicação e proteção.
A partir do diálogo com a Secretaria da Mulher, a Federação busca identificar caminhos para desenvolver ações conjuntas de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres, envolvendo os diferentes segmentos do futebol pernambucano e fortalecendo a mensagem de que a paixão pelo esporte deve estar sempre associada ao respeito e à construção de ambientes seguros para todos.





